Seguidores

terça-feira, 21 de junho de 2011

Profeta Ageu

Ageu

O Livro de Ageu contem apenas dois capítulos e trinta e oito versículos. Podemos nomear Ageu como o livro que exortou Judá a reconstruir o Templo depois do cativeiro babilônico. Assim como os outros profetas menores, seu livro era incluído também em um só volume junto com os demais que eram chamados de “O Livro dos Doze”.

O cativeiro babilônico dos judeus durou 70 anos e terminou com o misericordioso decreto de Ciro, deixando o remanescente judeu que retornou encarregado da gigantesca tarefa de reconstruir Jerusalém, seu Templo e suas muralhas.

Ageu foi um profeta remanescente, e começou seu trabalho no período pós-exílico, e seu tema é o Templo por terminar, e sua missão foi admoestar os construtores.
Alguns afirmam que o livro foi editado, visto que o autor diz: “o profeta Ageu”, (1.1.,2.1-10) ao referir-se ás profecias dadas, como se designasse uma pessoa distinta de quem escreve. O certo é que o autor estava bem familiarizado com os eventos profetizados, mas isso poderia significar também que ele era apenas um contemporâneo e que não foi ele mesmo que escreveu as profecias, então, um porta-voz e não o autor da profecia.

Não há como solucionar esta questão, se um autor incorporou fielmente os oráculos de um profeta, o resultado poderia ser fielmente chamado pelo nome do profeta e seria uma profecia genuína desse mesmo profeta.

Cenário Histórico

O Livro do profeta Ageu, foi o primeiro a ser escrito nos tempos pós-exílicos, nele contêm quatro discursos datados do segundo ano de Dário I, como relata o próprio livro, entre os meses de agosto á dezembro de 520 a.C, suas profecias estão relacionadas com o local do templo arruinado, isto é, na própria cidade de Jerusalém.

O profeta exortou a Zorobabel que era o governador, e a Josué o sumo sacerdote, bem como os líderes judaicos a assumirem seus deveres quanto a reconstrução do Templo e também aos sacerdotes a purificar a adoração cultíca, unificando assim a vida despedaçada da comunidade judaica. Seu objetivo também era a preparação para a era messiânica.

A comunidade com apenas 18 anos de existência estava desencorajada devido ao fracasso nas colheitas, á seca e a hostilidade das populações vizinhas, a ponto de que se dispunha a retornar á Babilônia. Ageu escreve repreendendo o povo por terem deixado o Templo deserto e semi destruído, pois estavam ocupados com a construção de suas casas e de suas vidas.

Não bastava estarem livres do cativeiro, Israel deveria ser uma teocracia e uma fraternidade com propósito e serviço espiritual, a restauração de Israel em todos os aspectos era algo necessário, pois Deus lhes escolhera como um povo e deles era exigido que correspondessem a essa responsabilidade.

O alvo realmente era encorajar os desanimados repatriados a reconstruir o templo, restabelecendo a autoridade civil e religiosa da nação, e reconhecendo a vida comunitária, após o padrão do estado judaico original.

Caráter do Profeta

Seu nome significa em hebraico “festividade”, talvez por ter nascido em alguma data festiva. Assim, como Obadias, nada se sabe sobre sua parentela ou aonde nasceu, mas sabemos que começou a profetizar no segundo ano do rei Dario (1.1).
Ageu queria mostrar ao povo que a prosperidade material não serve de sinal seguro de prosperidade espiritual, mas quando se põem as coisas espirituais em primeiro lugar, isso resulta em bênçãos de todas as modalidades (1.1-11), isso coaduna com a mensagem de Jesus em Mateus 6.33.

Após terem construído uma pequena estrutura Ageu fala ao povo para construírem um edifício mais glorioso do que o templo de Salomão. (2.4) ele também queria restaurar a monarquia. (2.21)

Ageu era diferente dos demais profetas, seu caráter era de um homem de Deus que via a adoração no Templo e os rituais como a chave para a maior prosperidade.

Canonicidade

Desde o início este livro foi aceito no canôn, tendo sido contato entre os doze menores. Esdras atestou a validade e a importância da profecia de Ageu (Esd 5.1 e 6.14) o que sem dúvida aumentou o prestígio do livro entre o povo. No entanto, nos antigos catálogos, seu nome nunca era mencionado, mas somente fazia-se referencia aos doze profetas, que necessariamente incluíam seu livro. Nos tempos do novo Testamento temos a citação em Hebreus 12:26 (ver Ageu 2. 6-8,22).

Conteúdo

a. Ageu 1.1-11 Sexto mês, primeiro dia. Primeiro oráculo.
É mencionada a negligência do povo, eles deveriam reconstruir o Templo (ver Esd 3.4), enquanto isso, estava concentrando seus esforços em suas próprias casas (Ag 1.4) Os desastres por eles sofridos eram um lembrete de Deus de que eles deveriam por em primeiro lugar as coisas espirituais.

b. Ageu 2.1-9 Sétimo mês, vigésimo primeiro dia. O futuro templo seria maior do que o de Salomão. Os gentios contribuiriam para que assim o fosse. A profecia talvez inclua o templo de Herodes, que foi maior do que o de Salomão; e espiritualmente falando, poderia referir-se ao novo templo formado por judeus e gentios, encarnado na igreja, na era do evangelho (Ef 2. 17-22). Seja como for, o futuro referente ao templo e ao seu sentido espiritual é grande, e isso deveria nos encorajar a fazer investimentos nessa realização.

c. Ageu 2.10-19 Nono mês, vigésimo quarto dia. A lei ritual nos fornece uma lição. Se o homem estivesse transportando a carne dos sacrifícios e se suas roupas tocassem em algo, a coisa tocada nem por isso torna-se –ia santa. Mas as vestes de um homem que estivesse ritualmente impuro, contaminaria tudo aquilo em que tocasse. Portanto a imundícia contamina. E as ruínas do templo, contaminavam a nação judaica, somente se o novo templo substituísse o antigo mediante a reconstrução, nação poderia ficar isenta da imundícia que lhes servia de obstáculo e contra eles atraía o juízo divino. Finalmente, o reavivamento resultou no lançamento d eum novo alicerce (Esd 3.10)em 536 a. C, e isso foi feita segundo a filosofia do profeta.

d. Ageu 2. 20-23. Nono mês, vigésimo quarto dia. Aparece uma promessa, feita a Zorobabel, de que ele seria mantido em segurança, a despeito das perturbações que agitavam o império persa.

Esboço de Ageu

I. A construção do segundo templo (1. 1-15)
a. O templo não está terminado (1. 1-6)
b. O templo precisa ser terminado (1. 7-15)
II. A glória do segundo templo (2.1-9)
a. O segundo templo não é tão glorioso quanto o primeiro templo (2.1 03)
b. O segundo templo será mais glorioso do que o primeiro (2.4-9)
III. As bençãos trazidas pela obediência (2.10-19)
a. A desobediência do remanescente (2.10-14)
b. A solução: a obediência do remanescente (2.15-19)
IV. As bênçãos futuras da promessa (2.20-23)
a. A futura destruição das nações (2.20-23)
b. O futuro reconhecimento de Zorobabel (2.23)

Nenhum comentário:

Postar um comentário